Como se tornar um Comissário de Bordo

Como disse em um post anterior, eu havia descoberto o que queria fazer da minha vida. Aos 21 anos, trabalhando no aeroporto de Bauru, eu sabia que queria voar, mas ao mesmo tempo, como já havia começado minha faculdade e estava no 3º ano, não queria trancar, queria ir até o fim no meu Bacharelado e depois fazer o curso.

Não foi uma decisão fácil. Várias vezes bateu a vontade de largar tudo e seguir em frente, mas eu sentia que minha experiência em solo e meu bacharelado em Turismo iriam me ajudar de alguma forma na profissão que eu tanto queria seguir.

Aviation-Love

O primeiro passo para se tornar um comissário de bordo é achar uma escola, de qualidade e com referências, para fazer o curso exigido pela ANAC. Em Bauru temos a opção no Aeroclube. O curso tem duração de aproximadamente 4 meses, onde estudamos a parte teórica e prática (sobrevivência), bem como tiramos nosso primeiro CMA (o documento que comprova que estamos aptos para exercer a profissão. Eu terminei o meu curso em dezembro de 2011.

O segundo passo é a prova da ANAC. É só marcarmos pelo próprio site enviando a documentação necessária em uma das cidades que a ANAC tem sede. Depois de marcada a prova (normalmente para 30 dias a frente da data de solicitação), é hora de colocar a cara nos livros e fazer muitos simulados. Essa fase depende totalmente do aluno. Eu fiz minha prova em Curitiba, pois estava muito mais rápido para marcar a data do que na sede de São Paulo.

O terceiro passo é preparar um currículo legal para enviar para as companhias aéreas. Hoje em dia, acredito que nenhuma delas esteja recebendo pelo correio, mesmo assim, quando chamado para entrevista, é interessante levar uma cópia do seu currículo com foto. Preencha o cadastro no Elancers correta e completamente, é a sua porta de entrada na aviação brasileira.

Depois, é apenas se preparar. Não deixe de estudar idiomas, de fazer cursos complementares e sempre tome muito cuidado com o que se posta em redes sociais. Vejo muita gente reclamando da área ou tentando fazer drama dizendo que ainda não foi chamado pra nenhuma seleção: esse não é o perfil que as empresas procuram. Mostre-se sempre positivo, alegre, feliz e que sabe que seu momento vai chegar.

Embora a aviação seja a nossa vida, não podemos parar nossa vida para esperar a chance de entrar. Continue sempre se aperfeiçoando.

Se esse realmente é seu sonho, no momento certo, ele vai se realizar. Não desista.

Foco, força e fé.

Blue Angel

Eu me formei em Turismo, realizei trabalhos voluntários voltados para área de intercâmbio e para algumas instituições de minha cidade, trabalhei em uma agência de viagem e duas vezes em uma agência de intercâmbio. Também trabalhei como Agente de Aeroporto durante 1 ano e meio.

Viajei para a África do Sul, onde aprendi a respeitar e admirar culturas diferentes da minha, a comer coisas apimentadas e a ver a vida de uma forma diferente. A saudade é imensurável dos momentos que passei lá e das pessoas que convivi.

Viajei pelo Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro, São Paulo, Mato Grosso do Sul e Minas Gerais. E o nosso Brasil é tão lindo e diversificado que não deixa nada a desejar para os destinos no exterior.

Fui de mochilão para Argentina, Chile e Uruguai, afinal, como turismólogo recém-formado, eu tinha que descobrir o mundo, eu tinha que descobrir à mim.

Esse ano passei dois meses na Europa, entre Suíça, Irlanda, Irlanda do Norte, França e Espanha e quando embarquei rumo à Londres no dia 1º de fevereiro, minha intenção era de não voltar. Mas a vida nos prega peças. E voltei.

Minha mãe sempre diz: “Criei meus filhos para o mundo, não para mim, por isso, vá. Mas se precisar voltar, sua casa estará aqui”. E eu sigo isso. E vou. E volto. E vou. Não tenho medo de arriscar.

Apesar de tudo o que vivi e não vivi e que tenho vontade de viver, eu sabia que um lado só estaria preenchido quando eu conseguisse voar. Não voar como passageiro, mas como tripulante. Eu queria voar para assegurar a segurança daqueles que estão dentro da aeronave, indo à uma reunião de trabalho, reencontrar a família, os amigos, ou como eu, atrás de algo novo, de um sonho.

Quero ser capaz de fornecer um sorriso a cada um desses passageiros através de um simples bom dia, que possa mudar o dia deles e que eles passem isso adiante, pois o mundo precisa mesmo de mais compaixão, compreensão e amor.

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Não vou dizer que foi fácil chegar aqui. A luta é diária. Mas não devemos nunca desistir. Às vezes bate aquela angústia, pensamos o quanto estudamos e em quanto a espera pode ser grande, mas pra quem está atrás de um objetivo e ama o que se quer, o que se faz, tudo isso se torna tão pequeno que mesmo que alguns dias sejam cinzas, a maior parte deles, será AZUL.

Por isso, hoje tenho orgulho de dizer que sou um Blue Angel. E que cheguei onde queria chegar. Porque fui forte, porque fui persistente, porque não desisti na primeira dificuldade. Porque continuei me capacitando e adquirindo experiência. Porque gosto de lidar com pessoas, de viajar. Porque sei que o mundo é meu e de quem mais quiser se arriscar a viver essa magia toda que ele pode nos proporcionar.

Obrigado a todos que de forma direta ou indireta, participaram dessa vitória! Sem vocês, eu não estaria onde estou.

E que todos tenham um dia AZUL.

 

 

E você? O que quer ser quando crescer?

Que atire o brinquedo favorito da infância quem nunca teve que responder essa pergunta.

Lembro quando a fizeram para mim pela primeira vez. Eu estava na primeira série, era um aluno tímido e a professora foi apontando para cada aluno, um atrás do outro, para responder a pergunta. Quando chegou a minha vez, respirei fundo e disse que queria ser repórter de uma emissora local de minha cidade. Muito disso porque minha mãe trabalhava nessa emissora e de certo modo, eu queria seguir os passos dela.

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A pergunta só voltou a ressurgir no Ensino Fundamental, por volta da 7ª ou 8ª série, mas entre os amigos. Eu não sabia se queria partir para Artes Cênicas ou Jornalismo, mas tinha certeza que seria um dos dois. Em um piscar de olhos, eu estava entrando no Terceiro Colegial e era o momento de decidir: agora não havia mais tempo. Esse é um período muito assustador. Como, com 17 anos, eu poderia ser capaz de decidir o que queria fazer por toda minha vida?

Eu já havia abandonado a ideia do Jornalismo e das Artes Cênicas. Sabia que gostava de viagens, embora ainda não tivesse feito muitas, mas o trabalho voluntário em uma Organização de Intercâmbio me mostrou que eu gostava também de lidar com pessoas. E também gostava de cozinhar. E queria estudar Gastronomia. E queria estudar Hospitalidade e Hospedagem. Nesse ponto, eu estava tão em dúvida que achei que não iria fazer nada. Mas as sábias palavras de minha mãe vieram no momento certo: “Por que você não estuda Turismo, onde você poderá englobar a gastronomia, a vontade de viajar, de lidar com pessoas e de quebra ter o gostinho de cada área de Humanas?”. Foi o que fiz.

Essa era a melhor decisão que eu poderia ter tomado. Tive a oportunidade de conhecer um pouco das áreas que queria – e descobrir que não era nada daquilo. A faculdade ajudou a expandir minha mente, conhecer várias áreas, mas acima de tudo, me ajudou a descobrir minha verdadeira paixão: a aviação.

Eu já sabia que gostava dessa área pelo trabalho voluntário no AFS. Ir para São Paulo e desenvolver as logísticas de intercâmbio em Guarulhos e Congonhas era um dos momentos mais esperados para mim no ano. Eu gostava de voar. Estar acima das nuvens e chegar rapidamente em qualquer lugar era algo mágico para mim. Quando fui então trabalhar no aeroporto de Bauru como Agente de Aeroporto e a querosene “entrou” no meu sangue, eu não tive mais dúvidas: era isso que eu queria.

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Mas eu não queria me manter em solo.Eu queria voar.

Hoje vejo alguns amigos que ainda não decidiram o que querem para suas vidas e me sinto privilegiado por ter achado o que eu quero. De estar me sentindo tão completo e certo da minha decisão.

Hoje, ninguém mais me pergunta o que quero ser quando crescer. Mas, se me perguntassem, eu encheria o peito e com muito orgulho, responderia: COMISSÁRIO DE BORDO!

31 de maio – Dia do Comissário de Bordo

Para quem não sabe, hoje se comemora o dia do comissário de bordo. Essa é uma data muito importante para mim, porque desde muito cedo – por volta dos 16, 17 anos, quando comecei a fazer um trabalho voluntário nos aeroportos de São Paulo e ao ver aquele pessoal que desembarcava todo uniformizado que eu descobri o que queria fazer da minha vida.

Não foi fácil: na época, eu era muito novo mesmo para fazer o curso. Quando completei a idade necessária, preferi deixar o sonho na gaveta e me graduar. Enquanto isso, fui me capacitando, melhorando meu inglês, começando a estudar espanhol na faculdade, tudo com o intuito de chegar lá. No terceiro ano de curso, fui trabalhar no aeroporto de Bauru, para ter noção de como a aviação operava. Entrei como agente de aeroporto em uma companhia que já não opera mais em minha cidade.

E foi ali que descobri que era isso mesmo que eu queria: mesmo tendo que acordar as 4h30 da manhã pra ir trabalhar, mesmo que estivesse chovendo, frio, neblina. Mesmo que dezenas de passageiros gritassem comigo porque o voo estava cancelado ou atrasado, eu estava feliz. Era aquilo: eu não tinha um emprego. Eu tinha um trabalho. Um trabalho que eu amava.

Quando me formei na faculdade, assim que tive a possibilidade, fiz o curso de comissário e sinto que estou cada vez mais perto de realizar meu sonho. Mas… que tal voltar um pouco ao passado?

Onde surgiu a profissão de comissário de bordo?

A profissão começou com uma distinta senhora, Ellen Church. Ela era formada como piloto e enfermeira. Entretanto, Steve Stimpson, o gerente do escritório de San Francisco da companhia aérea BAT (Boeing Air Transport), não queria contratá-la como piloto, mas aceitou sua sugestão de colocar enfermeiras a bordo das aeronaves para acalmar os passageiros que tinham medo de voar.

Ellen Church - primeira comissária de bordo

Ellen Church – primeira comissária de bordo

Em 1930, ela foi contratada como chefe de cabine e recrutou outras 7 enfermeiras para um período de 3 meses de experiência. Nos anos seguintes, outras companhias aéreas seguiram o exemplo da BAT, colocando comissárias de bordo nas aeronaves.

E porque o dia do comissário de bordo é comemorado no dia 31 de maio?

Em 1973, comissários da Varig, representando 44 países, participaram do Congresso dos Comissários de Vôo – Concov. O evento terminou no dia 31 de maio, com a fundação do Internacional Flight Attendants Association – IFAA -(Associação Internacional dos Comissários de Vôo). Uma canadense foi eleita para presidir a associação e o posto de vice-presidente ficou para um comissário alemão. A partir de então, 31 de maio foi estipulado como o Dia Internacional do Comissário de Vôo. Mas a data só seria decretada oficialmente em 1986. (Fonte: Livro A origem de Datas e Festas)

Então hoje, congratulo todos os meus amigos que já estão voando e aos que não estão, o sonho e a vontade, junto com a fé, nunca devem ser abalados. Se é isso que queremos para nossas vidas, uma hora vamos abrir nossas asas e voar! É só acreditarmos.

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