Memória olfativa

É interessante pensar que alguns lugares marcam por coisas que não fazem certo sentido. Posso citar cada coisa que me marcou em cada viagem.

A África do Sul pelas amizades que fiz, por ser a primeira, tem um toque especial na minha vida. O mochilão pela América do Sul pelo sentimento de libertação pós-faculdade e o verdadeiro começo da vida adulta.

Minha viagem para a Europa foi um divisor de águas. Eu precisava daquele momento para repensar o que queria e embora eu acreditasse que lá fosse meu destino, fatalmente tive que voltar para o Brasil para realmente me achar e hoje sou grato por isso.

A Irlanda me colocou frente à frente comigo mesmo, meus medos e meus fantasmas. Sorte que estava com um amigo e isso fez com que eu conseguisse ter forças para seguir em frente.

A França e a Espanha foram o respiro desses dois meses que passei na Irlanda. Paris me encantou como nenhum outro lugar anteriormente. Barcelona com seu ar estilo carioca me fez sentir mais vivo do que qualquer outro lugar da Europa.

Mas o que realmente quero falar nesse post é sobre a Suíça. O que sinto falta daquele lugar é do cheiro. Que cheiro? Não sei explicar.

Toda vez que penso em Zurich e Luzern, minha memória olfativa toma conta de meu cérebro. Achei que estava louco, até conhecer uma comissária que me disse também sentir falta do cheiro da costa oeste americana.

Lembro de acordar cedo na casa de minha amiga e abrir só uma pequena fresta da janela para sentir o cheiro da neve, do frio, do vento. Acho que só vivenciando algo assim para entender do que estou falando.

E talvez seja isso que eu mais goste em viagens: são os pequenos detalhes, nuances, texturas e cheiros que mais marcam a gente. E que nos dão cada vez mais vontade de desbravar o mundo todo.

Desapego forçado

Aí um dia você decide formatar o computador, passa todos os arquivos importantes para um HD externo mas, por um erro de atenção, esquece de repassar suas fotos para ele.

Sim. Isso aconteceu comigo. Perdi todas as minhas fotos.

Na hora em que bati o olho na pasta de fotos e ela estava vazia, eu senti meu coração parar por um milésimo de segundo. Quem me conhece sabe que adoro viajar e registrar todos os momentos e detalhes.

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Fazem dois meses que isso aconteceu, eu consegui recuperar grande parte das fotos, embora tudo misturado, mas ainda me sinto de luto. Luto pela ordem cronológica e álbuns como estavam separadas, por viagens, por momentos vividos e que não voltam mais.

Entendo que no final as fotos são mais para mostrarmos aos outros do que para nós mesmos, uma vez que ninguém pode tirar de mim o que vivi e experienciei em cada viagem (a não ser o Alzheimer). Entretanto, me dói pensar que muita coisa se perdeu e que com o passar dos dias, dos meses, dos anos, eu vou acabar esquecendo os pequenos detalhes daqueles momentos que eu poderia recordar ao ver ocasionalmente o álbum de certa viagem.

Ainda não tive coragem de acabar de catalogar as fotos que consegui recuperar, talvez por medo de descobrir que logo a foto preferida daquela viagem, se perdeu para sempre.

Aliás, cabe ressaltar que estou escrevendo esse post-desabafo para ver se de uma vez por todas eu consigo enterrar esse assunto, afinal, como disse, ainda me dói saber que isso aconteceu.

Mas que venham novas viagens, novos momentos e novas fotos. Afinal, a vida é realmente feita de recomeços e novos ciclos. E nem um HD formatado pode mudar isso.

Lembranças da infância

Entrando no clima de dia das crianças, lembro a primeira vez que, com um amigo, decidi subir a pé da Avenida Rodrigues Alves até a Duque de Caxias em Bauru, interior de São Paulo. A distância devia dar em torno de dez quadras. Era uma tarde de sábado ou domingo, em pleno verão. Para quem conhece a Cidade Sem Limites, sabe que o calor nessa época do ano é mais intenso que o habitual.

Eu devia ter em torno de oito ou dez anos e para mim, foi uma vitória conseguir percorrer aquele caminho (até parei no meio do percurso em um estabelecimento, todo esbaforido, pedindo água).

Mal sabia eu que, anos mais tarde, seria capaz sonhar com algo maior e conseguir realizar. Eu não tinha ideia de que seria capaz de cruzar oceanos, fronteiras e países. Mal sabia eu que não precisaria mais dos meus pés para percorrer uma distância de um ponto a outro.

A primeira vez que me lembro de ter viajado para longe de minha cidade foi quando minha família foi para a praia de Ubatuba, no estado de São Paulo. Lembro com carinho daquele final de ano. As horas intermináveis dentro do carro me presentearam com o mar, tão misterioso e fascinante para mim. Foi minha primeira experiência em algo diferente do meu mundo particular.

Entretanto, descobri que podia descobrir o mundo sozinho: eu só precisava de coragem para desbravar o desconhecido. Foram excursões da escola, viagens de formatura, viagens técnicas pela faculdade e cada vez eu pegava mais gosto por conhecer lugares, culturas e pessoas diferentes.

Meu intercâmbio para a África do Sul veio para confirmar o que eu já sabia: eu havia nascido para viajar. Ir sozinho aos 18 anos para um país completamente desconhecido e tão diferente culturalmente do meu fez com que minha mente expandisse de um modo que só vivendo essa experiência para entender. O amor ao próximo  e o respeito as diferenças se tornam mais fortes e reais.

Eu descobri que o mundo igual, preto e branco, não tem graça. Descobri que precisava de cor para viver. Um arco-íris de crenças, valores, culturas e sorrisos que fazem tudo mais especial e verdadeiro.

Depois disso, não parei mais: mochilão pela América do Sul, decidi ir morar na Europa e conhecer vários países e, como cereja desse grande bolo de viagens, me tornar comissário de bordo.

E hoje, cada vez que estou dentro de uma aeronave indo pra um lugar diferente do meu país que é tão rico culturalmente, eu me sinto mais completo e mais feliz.

Aquele menino que queria desbravar dez quadras para mostrar que era capaz de ser independente, descobriu um dia que amava viajar.

Hoje, ele sabe que é capaz de voar.

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O que você prefere? A arrogância ou a falsa modéstia?

O que você prefere, passar por falso modesto ou arrogante? Sinceramente, prefiro o segundo. Detesto falsa modéstia assim como detesto os falsos modestos. Modéstia a parte, prefiro muito mais aqueles que falem “sou bom mesmo” “faço mesmo”. Muitas pessoas olham feio, criticam, xingam, tomam aversão a pessoas que botam a cara para bater e dizem que são bons.

O que quero falar na verdade é que existe uma grande diferença entre se achar bom ou ser bom, se achar medíocre ou ser medíocre ou pior, se achar foda e ser um medíocre. O falso modesto é o pior arrogante, pois ele se inferioriza para ser mais elogiado e ter o ego ainda mais massageado. O pior arrogante é aquele que usa isso para inferiorizar outras pessoas. E eu estou falando do arrogante com procedência, não o medíocre que se acha o cara.

Estou escrevendo este texto por um motivo, por passar muitas vezes por arrogante, por dizerem que eu me acho o máximo. Primeiro, não tenho motivos para me achar o máximo. Ainda não o sou, mas vou ser. E é essa a grande diferença, sei do meu potencial e sei o que posso alcançar na minha vida. E não, não tenho medo algum de dizer isso. Se por eu saber o que eu quero, por correr atrás disso e por mostrar algumas vezes que tenho chances reais de alcançar meus objetivos, eu sou taxado de arrogante, então que seja assim.

Quem não gosta de ser elogiado? Quem não gosta de ter o esforço e o trabalho reconhecidos? O problema é que enquanto você se inferioriza e se rebaixa todos continuam te achando um cara muito bacana, mas quando você diz “Obrigado, ficou muito bom mesmo” as pessoas já te chamam de arrogante e não-sei-mais-o-que. Olha, estou longe, mas muuuito longe de ser o profissional que deveria ou que poderia, e muito mais longe de ser o que eu quero ser. Mas estou no caminho e estou trilhando ele da maneira certa, dando passos muito bem pensados. Se eu vou alcançar? Vou. Estou trabalhando para isso. E se você não tem essa determinação, se você não sabe o que quer, me desculpe, mas você vai me achar um prepotente filha da mãe. Admiro as pessoas que aos 20 e poucos sabem o querem e correm atrás, que não esperam as coisas caírem do céu e que sabem reconhecer quando errou e por que não, reconhecer quando acertou.

Na nossa cultura, aprendemos desde cedo que só podemos lembrar dos nossos erros, e fazem questão de fazerem isto por nós. Eu me lembro dos meus erros – aprendi muito com eles – mas também lembro dos meus acertos, e sei que posso melhorá-los. É muito mais fácil julgar uma pessoa que se arrisca do que se arriscar, é muito mais fácil julgar quem bota a cara a tapa do que botar a própria cara a tapa.

Confie no seu taco e não deixe que palavras de terceiros diminuam quem você é!

Namore com um cara que viaja

Esse texto foi originalmente publicado em inglês no blog Where Are My Heels e nos faz pensar na importância de namorar um cara que viaja, seja ele mochileiro ou uma pessoa que curta um all inclusive. Claro que eu precisava postá-lo aqui, pois me identifiquei totalmente.

Namore um cara que viaja

Namore um garoto que tenha mais experiências ricas que brinquedos caros, uma pulseira hippie feita a mão ao invés de um Rolex. Namore um garoto que dê risada quando ouve as palavras férias, all-inclusive ou resort. Namore um garoto que viaja não porque está cego por um único objetivo, mas motivado por vários.

Você encontra esse cara num aeroporto, ou numa livraria procurando guias de viagem, os quais ele “só os usa como referência”. Você vai saber que é ele porque quando espiar a tela de seu computador, e o plano de fundo vai ser uma cena de esplêndidas montanhas rochosas, vales ou bandeiras de oração.

O Facebook dele vai ser lotado e seu mural terá mensagens num inglês meia boca “Miss-you” de amigos que ele fez ao longo do caminho. Quando ele viaja, ele faz “amigos pra vida toda” em uma hora. E os quais o contato com esses amigos é esporádico e talvez espaçado, porém fortes e inquebrável e, se ele quisesse, poderia ter um sofá para dormir no mundo inteiro… de novo!

Compre pra ele uma cerveja, talvez a mesma do slogan da camiseta que ele está vestindo por debaixo de uma camisa xadrez, impedindo-o de ir embora. Uma vez que um viajante volta pra casa, raramente as pessoas escutam suas histórias. Então escute-o, deixe que ele pinte um quadro que te traga para dentro do seu mundo. Ele pode falar rápido e deixar passar alguns detalhes mas é por que ele estará muito empolgado por ser ouvido. Incentive o entusiasmo dele. Deseje isso para você também.

Ele vai vibrar que nem criança quando a última edição da National Geographic chegar pelo correio, para logo em seguida crescer e ser adulto de novo enquanto analisa todas as fotos, todas as aventuras. Na sua cabeça, ele está naquelas fotos. Ele vai te questionar sobre seus sonhos, e com competitivamente sobre a coisa mais louca que já fez na vida. Diga a ele. E saiba que provavelmente ele vencerá. E se você tiver alguma chance de vencer, saiba que o próximo objetivo da vida dele será te superar. Mas então ele dirá “talvez a gente possa fazer isso juntos!” .

Namore um garoto que vive bem apenas com uma mochila, porque ele é feliz com menos. Um menino que viajou, viu pobreza e jantou com aqueles que vivem na favela, sem água corrente, e ainda recebem bem os estrangeiros, com maior hospitalidade que os ricos. E por conta disso, ele vê como a vida sem luxuria pode significar uma vida alimentada por relacionamentos e família, muito melhor que uma vida alimentada de carros, diversão e ego. Ele experimentou várias maneiras de ser, respeita religiões alternativas e vê a o mundo com os olhos de uma criança de 5 anos, curioso e faminto por conhecimento. Seu pai também vai ficar contente porque ele é bom com dinheiro, e sabe economizá-lo.

Esse garoto saboreia a casa, o conforto de um edredom, a segurança da comida da mãe dele, jogar papo fora com os amigos de infância e a glória de se sentir a vontade em seu banheiro. Embora ele seja ferozmente independente, teve tempo para refletir sobre si mesmo e seus relacionamentos. Apesar de seu desejo de viajar, ele conhece e valoriza seus laços familiares. Ele teve muitas vezes que perder e perder. Devido a isso, ele também sabe uma coisa ou outra sobre despedidas. Ele sabe da imensa incerteza de sair do conforto de casa, o indefinido “até logo” nos portões de embarque, e ainda assim ele vai sem medo para o desconhecido, porque ele sabe o sentimento de retorno. E que o abraço “que saudaaade” é o melhor tipo de abraço em todo o mundo. Ele também sabe que despedidas não são mais que “até logos” e que ‘Olá’ é apenas tão distante quanto o ciber-café mais próximo.

Não segure este menino. Deixe-o ir, e vá com ele. Se você não viajou, ele vai abrir seus olhos para um mundo além das notícias e da percepção popular. Ele vai trazer seus sonhos para realidade. Ele vai acalmar seus nervos quando você está prestes a perder um voo ou suas reservas de hotel não forem confirmadas, porque ele sabe que a viagem é uma aventura. Ele vai fazer graça dos ruídos desagradáveis que você faz quando você tiver uma intoxicação alimentar. Ele vai fazer você rir através do desconforto ao mesmo tempo enxugando a testa com um pano frio e cuidando de você com água engarrafada. Ele vai fazer você se sentir como se estivesse em casa.

We travel not to escape life, but for life not to escape us

Quando vocês virem algo maravilhoso, ele vai segurar forte a sua mão em silêncio, vai olhar para o chão onde está pisando no momento, e sorrir porque você está ao lado dele.

Ele vai viver em cada momento com você, porque esta é a forma como ele vive sua vida. Ele entende que a felicidade não é mais do que uma série de momentos que deslocam a neutralidade, e ele está determinado a amarrar como muitas dessas cordas juntas como ele pode. Ele também entende sua necessidade de viver para si mesmo e que você tem um bucket list – coisas para fazer antes de morrer – de seu próprio país. Entenda o dele.

Entenda que seus objetivos podem diferir em alguns pontos, mas que a independência é a base de um relacionamento saudável quando é mutuamente respeitado. Você pode perdê-lo um pouco, mas ele sempre vai voltar para casa trazendo uma nova história e uma lembrança que ele pegou porque lembrou de você, como se fosse feito para você, e porque sente sua falta.

Você pode ser obrigada a fazer o mesmo. Certifique-se de que a independência está em seu bucket list, e certifique-se que está destacada. A Independência vai manter seu relacionamento renovado e empolgante, e quando estiverem juntos novamente ele irá forjar um vínculo de confiança inquebrável.

Ele vai propor que você viole sua zona de conforto, quer se trate de um medo, como paraquedismo ou nadar com tubarões, ou sentar ao lado da pessoa fedorenta em um ônibus superlotado. Não vai ser com um anel de diamantes, mas com um símbolo de uma cultura nativa ou inspirados pela natureza, como um pinguim gravado numa pedra.

Vocês vão se casar em algum lugar incomum, cercado por um grupo seleto, em um momento construído para celebrar a aventura do desconhecido juntos novamente. Case-se com o rapaz que viajou e, juntos, vocês vão fazer do mundo inteiro sua casa. Sua lua de mel não será perdida num jantar com buffet e open-bar de praia, mas será lembrado nas fotografias triunfantes no topo do Kilimanjaro e imortalizado na dor gratificante dos músculos no final de um longo dia de caminhada .

Quando estiverem prontos, você vai ter filhos que têm os nomes dos personagens que você conheceu em suas viagens, os nomes estranhos de pessoas que cavaram um lugar especial em seu coração mesmo que apenas por alguns dias. Talvez você vai viver em outro país, e seus filhos vão aprender de língua e costumes que abrem suas mentes desde o início, não deixando espaço para o preconceito. Ele vai apresentá-los para a vida de Hemingway, o Caminho de Santiago, e capacitá-los a viver ainda mais grandiosamente do que vocês dois.

Case com um cara que viaja, e ele irá ensinar seus filhos a beleza de uma singela pedra, a história dos Incas e irá encorajá-los a um mundo de possibilidades. Ele vai explicar-lhes que agarrando oportunidades certas, não há medo. Ele vai ensiná-los a se arriscar.

E quando você envelhecer, você vai sentar-se com seus netos derramando sobre seus álbuns de fotos as lembranças de tesouros do mundo, enquanto eles também se colocam em suas fotografias, provocada pela beleza do mundo e inspirado por sua vida nele.

Encontre um menino que viaja, porque você merece uma vida de aventuras e possibilidades. Você merece viver leve e abraçar a simplicidade. Você merece olhar a vida através dos olhos de jovens e com os braços bem abertos. Porque este é o lugar onde você vai encontrar alegria. E melhor, você vai encontrar a alegria com ele. E se você não consegue encontrá-lo, viaje. Vá. Adote-o. Explore o mundo para si mesmo, porque os sonhos são o material de onde a realidade é criada.

Tradução: Yasmim Ribeiro

Fonte: Blog Vagabundo Profissional

Serviço de bordo: obrigatório ou não?

Sempre que estou em uma viagem de avião, nacional ou internacional, acabo pensando nessa questão acima. Algumas companhias oferecem o serviço “gratuitamente”, enquanto outras preferem cobrar.

Algumas até, como é o caso da GOL no Brasil, cobram pelo serviço de bordo em algumas rotas, como é o caso da rota São Paulo – Porto Alegre, enquanto em outras rotas o serviço é de graça, podendo variar de apenas bebidas, como é o caso da rota Bauru – São Paulo ou até uma refeição um pouco mais completa, como na rota São Paulo – Rio de Janeiro ou em vôos internacionais.

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A grande discussão vem de que a maior parte das pessoas acredita que o serviço de bordo deva ser obrigatório e composto de uma refeição mínima (entenda como refeição mínima uma bebida e um sanduíche, por exemplo). Talvez essa mentalidade venha da era de ouro na aviação no Brasil, onde a TAM colocava tapete vermelho para seus passageiros e a Varig e a Vasp serviam refeições quentes a bordo com talheres de prata.

Eu discordo de que o serviço de bordo deva ser obrigatório. O que procuramos hoje em dia é agilidade na viagem e preços competitivos, pois ninguém mais quer pagar uma fortuna para um voo curto. Na época em que a TAM operava Bauru-São Paulo com esse serviço de bordo, as passagens chegavam a custar em torno de R$700,00, ida e volta. Lembre-se que há alguns anos, o salário mínimo era menos de R$500,00. A passagem era exorbitantemente cara, sendo inacessível viajar de avião para grande parte da população. E porque? Por uma refeição quente encontrada nos melhores restaurantes de São Paulo por menos de R$100,00.

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Ninguém exige que as companhias de viação tenham em seus ônibus serviço de bordo. Uma viagem Bauru – São Paulo, que chega a demorar em torno de 5 horas, não possui serviço de bordo. Entretanto, há companhias de viação possuem o serviço, como é o caso de algumas argentinas que fazem o trajeto entre Buenos Aires e Bariloche, sem paradas. A viagem dura em torno de 26 horas, então são servidas três refeições.

Alguns vão dizer que ao menos há a parada no posto e é nesse ponto que quero chegar: para viagens longas, o serviço de bordo é necessário por não podermos parar o avião e descer para um café; entretanto, em uma viagem dessas, a refeição está inclusa no valor da passagem e vale a pena pagar.

Para vôos de até 3 ou 4 horas, acho desnecessário. Podemos muito bem comer no aeroporto de partida. Podemos muito bem comer no aeroporto de chegada. O ponto forte de viajar de avião não é tomar um copo de suco de laranja com duas pedras de gelo: é a facilidade de se locomover de modo rápido entre grandes distâncias.

Como não há um consenso a respeito e eu estou aqui humildemente expressando minha opinião de passageiro, gosto do que as companhias aéreas européias tem feito: o baixo custo da passagem não é milagre. Elas cobram o passageiro em cima do que ele deve pagar para voar. Se ele quer despachar bagagem, pague a parte. Se quer comer a bordo, pague a parte também.

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Parece injusto? Pois eu acho o método mais justo! Afinal, porque eu devo pagar o mesmo valor da passagem apenas para voar, sem bagagem, sem comer a bordo, do que quem vai despachar mala e comer a bordo? Fora isso, como a companhia tem que contar com um número de pessoas que vai comer, há também muita perda de comida.

No caso da AerLingus, você pode fazer seu pedido no ato da compra da passagem e agregar o valor. Com isso, o desperdício de alimentos também se torna menor, diminuindo o prejuízo da empresa e consequentemente, o valor da passagem para o passageiro final.

Por isso, essa política de várias tarifas diferentes tem feito sucesso no velho continente. Talvez as companhias brasileiras devam estudar esse método e quem sabe, tornar ainda mais barata a passagem para quem quer apenas voar.

Aguardo o dia em que isso irá acontecer, principalmente por acreditar que esse pode ser um dos meios para a aviação no Brasil evoluir cada vez mais, ligando todo o nosso pais em uma grande malha aérea, como já vemos na Europa e nos Estados Unidos.

Sete Dias

Sete dias se passaram desde que saí do Brasil.

Pensando no futuro, não sei se terei tempo para escrever tanto quanto gostaria, porque estarei focado tentando “participar” e encontrar o meu lugar no mundo.

Ainda assim, sei que não estou sozinho. Há pessoas que se preocupam comigo, mesmo distantes. Também existem pessoas que dizem que certas coisas não acontecem e que eu posso estar exagerando. Isso porque se esquecem do que é sentir a emoção da primeira vez, pois acreditam que já experimentaram e viveram tudo que havia para viver.

Sei que tudo que estou vivendo agora não passará de histórias e que se tornarão fotografias antigas para alguns. Que todos nos tornaremos pais de alguém, avós até. Mas, agora, estes momentos não são histórias do passado. A vida está acontecendo e estou aqui, olhando para ela, e posso ver e dizer que ela é linda.

Eu já consigo enxergar aquele momento em que percebemos que não é mais uma história triste, que na verdade estamos vivos e que as coisas começam a se transformar.

Aquele momento em que nos levantamos e vemos as luzes na cidade, os aviões no céu, o amanhecer e tudo mais que nos faz imaginar e sonhar, como quando estamos ouvindo aquela música, naquela viagem, lembrando das pessoas que mais amamos neste mundo e que tivemos que deixar para ir atrás de um sonho.

E, neste momento, eu posso sentir, que sou infinito.

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