Memória olfativa

É interessante pensar que alguns lugares marcam por coisas que não fazem certo sentido. Posso citar cada coisa que me marcou em cada viagem.

A África do Sul pelas amizades que fiz, por ser a primeira, tem um toque especial na minha vida. O mochilão pela América do Sul pelo sentimento de libertação pós-faculdade e o verdadeiro começo da vida adulta.

Minha viagem para a Europa foi um divisor de águas. Eu precisava daquele momento para repensar o que queria e embora eu acreditasse que lá fosse meu destino, fatalmente tive que voltar para o Brasil para realmente me achar e hoje sou grato por isso.

A Irlanda me colocou frente à frente comigo mesmo, meus medos e meus fantasmas. Sorte que estava com um amigo e isso fez com que eu conseguisse ter forças para seguir em frente.

A França e a Espanha foram o respiro desses dois meses que passei na Irlanda. Paris me encantou como nenhum outro lugar anteriormente. Barcelona com seu ar estilo carioca me fez sentir mais vivo do que qualquer outro lugar da Europa.

Mas o que realmente quero falar nesse post é sobre a Suíça. O que sinto falta daquele lugar é do cheiro. Que cheiro? Não sei explicar.

Toda vez que penso em Zurich e Luzern, minha memória olfativa toma conta de meu cérebro. Achei que estava louco, até conhecer uma comissária que me disse também sentir falta do cheiro da costa oeste americana.

Lembro de acordar cedo na casa de minha amiga e abrir só uma pequena fresta da janela para sentir o cheiro da neve, do frio, do vento. Acho que só vivenciando algo assim para entender do que estou falando.

E talvez seja isso que eu mais goste em viagens: são os pequenos detalhes, nuances, texturas e cheiros que mais marcam a gente. E que nos dão cada vez mais vontade de desbravar o mundo todo.

Peace Wall Belfast

Quem se lembra do muro de Berlin talvez nem deva ter ouvido falar que, em outros lugares, muros são ainda utilizados para fazerem algo parecido, embora a motivação não seja política e sim religiosa, o Peace Wall, em Belfast, tem um quê de separatista.

Eu até ia escrever um post todo especial sobre isso, mas o Rick escreveu algo que em poucas palavras, foi capaz de sintetizar tudo o que vi, senti e pensei sobre esse marco na cidade de Belfast. Tomo a liberdade aqui, de reproduzir na íntegra, o que ele disse, com fotos que tiramos no dia em que estivemos lá:

Peace Wall

Peace Wall

“Belfast é uma cidade fantástica, como vocês puderam ver nos outros posts e que me ensinou muitas coisas novas. Mas algo em especial me marcou na cidade, o Peace Wall.

O Peace Wall é um ENORME muro, construído no ano de 1969, bem no começo dos conflitos religiosos em Belfast e que tem por objetivo separar protestantes de católicos. Ele corta os principais bairros católicos e protestantes da cidade e chama “Peace Wall” porque, teoricamente, impede que ataques gratuitos aconteçam entre os dois lados.

Eu já cheguei em Belfast querendo conhecer o muro, mas ele não estava no mapa. Precisei pedir informação a um irlandês que, muito prestativo, me disse o caminho para chegar lá e até me mostrou no mapa. Achei engraçado que algo tão importante não estive marcado no mapa, mas depois pensei: quem é que tem orgulho de mostrar uma coisa dessas?

Ninguém.

[…]

Essa visita só me fez refletir um pouco mais sobre o Brasil. Por mais que ainda tenhamos uma ENORME intolerância religiosa, que a maioria ainda não aceita as diferenças dos outros, que tenhamos homofóbicos e preconceituosos presidindo uma Câmara de Direitos Humanos, que tenhamos violência contra mulheres, gays e negros, nós não temos um muro que nos separa.

Brasil, um país de todos.

Post na íntegra aqui.

Titanic Museum

Um dos momentos mais esperados da viagem a Belfast para mim era a visita ao museu do Titanic. Me apaixonei pelo filme desde quando o vi pela primeira vez, em um VHS que meu tio enviou de São Paulo para mim. Enquanto eu não pifei o áudio da fita de tanto assistir, não cansei.

Aí depois veio o DVD e vocês já sabem a história: ninguém suportava ver o filme comigo, porque eu sabia muitas das falas de cor. Fazer o quê? Ainda hoje, é um dos meus filmes favoritos.

Depois de visitar os principais pontos de Belfast, como eu já contei aqui, seguimos rumo a cereja do bolo do dia: O museu do Titanic. Como um amigo disse, hoje em dia, “Ir a Belfast e não conhecer o museu do Titanic é a mesma coisa que ir a Paris e não conhecer a Torre Eiffel” e ele não podia estar mais certo. Seja porque você é fã do filme, da história ou de história ou por sua forma arquitetônica arrojada, o passeio ao museu é imperdível!

Na época que antecedeu a construção do Titanic, Belfast era conhecida como a capital da fibra e do ferro, uma cidade com uma capacidade produtiva muito grande e muito importante para o poder financeiro do Reino Unido. Por conta disso, a cidade foi escolhida como sede da construção dos maiores navios que o mundo já havia visto, devido a seu grande poder naval.

O museu não fica longe do centro e dá pra ir caminhando tranquilamente. O ticket custa em média £12 (adulto) e £9 (estudantes).

É impossível errar o museu. Logo de cara, você já identifica que naquele edifício deve haver algo relacionado ao navio por seu formato. É um dos prédios mais lindos que já vi.

Titanic Museum

Titanic Museum

O passeio começa contando a história do domínio britânico pelo mundo. Depois conta a história da guerra das Irlandas e por fim, a história de Belfast. É nesse momento que a gente aprende sobre o poder produtivo e naval de Belfast.

Depois, a história mergulha exclusivamente no relato do Titanic. Vemos as plantas da construção, os materiais que foram usados e embarcamos em um trenzinho que conta aos poucos como foi a construção do gigante.

No passeio do trenzinho

No passeio do trenzinho

Uma das salas mais interessantes é a que contém as mensagens originais, em áudio e escritas, trocadas entre os comandantes do Titanic, Carpathia e Olympic no dia da tragédia. Nelas, é possível ver que o comandante Edwart Smith, foi um pouco orgulhoso com os avisos dos outros navios, já que o Titanic era o navio que nem Deus podia afundar e só pediu ajuda quando já estava sem saída e a tragédia com horário marcado.

Réplica do navio

Réplica do navio

O mais legal do museu é que ele é 100% interativo. Em todas as salas é possível usar o touch das telas e se aprofundar mais ainda na história. Conhecer todos os decks do navio, o caminho que os funcionários percorriam dentro do labirinto de corredores, os ambientes conforme as classes, bem como restaurantes, etc.

Réplicas da porcelana utilizada no Titanic, com o emblema da White Star Line

Réplicas da porcelana utilizada no Titanic, com o emblema da White Star Line

Há alguns objetos e algumas coisas que estavam dentro do navio, como xícaras, bules, pratos e até uma representação – em tamanho real – de um quarto da primeira, segunda e terceira classe e um bote salva-vidas.

Cabine primeira classe

Cabine primeira classe

Há também a sala que conta a história de alguns passageiros que estavam a bordo navio e sobreviveram à tragédia, entre elas Margareth Brown (a nova rica) que ficou conhecida como a “Heroína do Titanic” (também retratada no filme de Cameron), porque ajudou a todos que podia com a sua recém-adquirida fortuna, com uma fundação em prol aos sobreviventes da tragédia, bem como o sr. Andrew (construtor do navio) e outros célebres ilustres que estavam no navio.

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Cabine segunda classe

Em um dos ambientes, é possível acompanhar vídeos em 3 paredes como se estivesse em um elevador, do casco do navio até sua parte exterior, onde os passageiros tomavam Sol passando pelo interior de vários ambientes. Você realmente se sente dentro do Titanic.

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Cabine terceira classe, onde ficavam os empregados do navio e os menos afortunados

O interessante é perceber que realmente o Titanic tinha uma chance de chegar a Nova York. Que avisos foram dados, mas a prepotência humana e a certeza do navio não poder afundar nem pelas mãos de Deus selou a vida de milhares de pessoas.

Os botes deixando o navio em 14 de abril de 1912

Titanic

Ainda é possível ver um bote em seu tamanho real, como os utilizados no Titanic. Se não fosse o pânico, a diferença de classes e a falta de preparo dos tripulantes, poderia ter havido muito mais sobreviventes.

Bote em tamanho real como os utilizados no Titanic

Bote em tamanho real como os utilizados no Titanic

Na parte final, a parte técnica da descoberta do navio no fundo do mar é desvendada. Pode-se ver o robô aquático utilizado para ir até o navio, imagens do Titanic, etc.

Robô aquático

Robô aquático

O passeio termina mostrando as diversas representações de Titanic ao redor do mundo, manchetes do jornal da época, os filmes que vieram após o naufrágio, incluindo o filme de 1997 e tem até o figurino original dos atores usado nas gravações. Além é claro, da Celine Dion cantando “My Heart Will Go On“.

Vestido da Rose, utilizado por Kate Winslet no filme de James Cameron

Vestido da Rose, utilizado por Kate Winslet no filme de James Cameron

Após terminar o passeio, é impossível não refletir sobre o ocorrido. Muitas vidas foram perdidas naquele ano. Mais uma vez provou-se que o homem não está acima da força de Deus e que temos que ser cautelosos e diminuirmos nossa arrogância. O Titanic ficou sem uma explicação plausível de como um erro desse pode ter sido cometido por um capitão tão experiente.

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Deck com vista para o porto de Belfast

Mesmo assim, essa é uma história que motiva e nos cativa por todo seu mistério e grandeza e o passeio ao museu do Titanic vale a pena por cada segundo passado lá dentro. Saí de lá com a sensação de mais um desejo realizado. Tanto que eu tive que trazer um souvenir todo especial do museu.

Caneca White Star Line Titanic

Caneca White Star Line Titanic

Só quem é fã mesmo pra entender a emoção de estar em um local em que a história desse gigante começou. Fica a dica pra quem estiver indo pra Irlanda.

Titanic Museum

Titanic Museum

Para quem quiser maiores informações, é só acessar o site do museu.

Belfast em um dia

A viagem para Belfast, embora já cogitada, foi decidida em cima da hora, principalmente porque eu estava voltando ao Brasil bem antes do planejado. Para aproveitar que eu e o Rick ainda não estávamos trabalhando, pegamos uma dessas promoções de meio de semana de uma companhia de viação entre Dublin e Belfast, marcamos a data e fomos.

Saímos de Dublin às 9h30 (atrasados, pois perdemos o ônibus das 8h30), naquele frio e chuva que só Dublin pode te proporcionar durante o inverno e partimos rumo a Belfast. O ônibus sai ali da O’Connell Street, mas o lugar não é muito preciso. Fomos de AirCoach, a viagem de ida e volta saiu por € 20, durando aproximadamente 2 horas.

Para chegar à Belfast, o ônibus fez um caminho muito lindo por dentro da Irlanda, recheados de paisagens de tirar o fôlego. Passamos por pequenas cidades, muitas fazendas, vimos muitos riachos, rios e criações de gado e ovelhas. Foi possível também avistar algumas ruínas antigas, algumas torres e muitas casas bem típicas da Irlanda.

Foi nesse momento que entendemos porque alguns brasileiros chamam a Irlanda de “grande fazenda”. O local, quando se sai de Dublin, é todo voltado para as pastagens e a vida é baseada em um sistema mais rural. Me lembrou algumas paisagens que vemos no interior de São Paulo, onde eu moro.

A fronteira da Irlanda com a Irlanda do Norte quase não existe, só percebemos porque o sinal do celular caiu, entrou em roaming internacional e passou a apontar “vodafone UK”. Além disso, começaram a surgir placas de serviços na estrada, de hotel, alimentação e etc, em Libras (£) e não mais em Euros (€). Achamos que morreríamos por estarmos sem internet/celular, mas gente, acredite, ainda é possível viver sem tecnologia por um dia! (drama queen)

O ônibus para em frente a rodoviária em Belfast, onde é possível pegar um mapa da cidade. Pegamos nosso mapa, vários roteirinhos da cidade e começamos nosso passeio.

Visitamos muitos lugares e, seguindo o que o Rick disse no post dele, não vou falar de todos, se não o post vai ficar quilométrico. Vamos nos focar nos mais importantes.

Saindo da rodoviária, logo na esquina, já é possivel ver a Gran Opera House of Belfast. A ópera abriu suas portas em 1895 e desde então mantém um ativo hall de espetáculos, colocando-a na grande cena europeia. Maiores informações podem ser conseguidas no site da Ópera.

Grand Opera House of Belfast

Grand Opera House of Belfast

De lá, seguimos andando pelo centro da cidade (até obtivemos ajuda de uma simpática irlandesa que começou a nos contar a história de um hotel próximo, cheio de fofocas e intrigas que entendemos apenas pela metade por ela falar rápido demais) até chegarmos na “Ormeau Baths”, um banheiro público do século XIX.

Ormeau Baths

Ormeau Baths

Os banhos públicos existiam porque, naquela época, a maioria das casas da Irlanda não tinham água quente ou banheiro e para tomar banho, as pessoas precisavam ir até esse tipo de local para se banhar. Era mais um serviço que o governo servia à população.

Ormeau Baths - Parte Interna

Ormeau Baths – Parte Interna

De lá, seguimos para o City Hall. O City Hall é o centro do poder em Belfast, é lá que se concentra a parte política da cidade. Ele está ligado diretamente ao governo do Reino Unido. A arquitetura do lugar é fantástica e recheada de detalhes. É possível ver também várias estátuas de ícones britânicos, inclusive da Rainha Vitória e de alguns outros membros da família real.

City Hall Of Belfast

City Hall Of Belfast

No City Hall também tem um monumento em memória as vítimas do Titanic – que foi construído em Belfast – e um obelisco em memória aos heróis das duas guerras mundiais.

O Jardim em memória das vítimas do Titanic

O jardim em memória das vítimas do Titanic

Foi sentado no City Hall que deixamos o estilo ~europeu~ de lado e farofamos nosso almoço como bons brasileiros, embora várias pessoas estivessem fazendo o mesmo. O interessante desses lugares é que eles aproveitam o tempo que podem estar ao ar livre, realmente ao ar livre. Então várias pessoas estavam aproveitando o clima ameno para comer seus almoços nos jardins do City Hall.

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Detalhe: estátua Rainha Vitória

Do City Hall partimos em busca do WaterFront Hall, em frente ao rio Lagan, uma casa de espetáculos que recebe os principais shows e eventos de Belfast.

Waterfront Hall

Waterfront Hall

Ao lado encontramos a Beacon of Hope. A escultura é o resultado de seis anos de planejamento, desenvolvimento e eventual fabricação. Feita de aço inoxidável e bronze fundido, a espiral que ela mantém no ar é o “anel de ação de graças”. O mundo a seus pés indica a filosofia universal de paz, harmonia e ação de graças e marcada em sua superfície, estão as cidades de onde as pessoas e indústrias de Belfast migraram.

Beacon of Hope

Beacon of Hope

Quase do lado desse monumento, está o “Big Fish”, uma estátua de cerâmica em homenagem a pesca e o cultivo do salmão em Belfast e a recuperação do rio Lagan. O grande peixe é um mosaíco e conta a história de Belfast.

Big Fish

Big Fish

Em frente ao Big Fish, fica o Albert Memorial Clock. É um relógio de torre situado na Praça da Rainha. Foi concluído em 1869 e é um dos melhores pontos de referência conhecidos de Belfast. Foi um presente da rainha Vitória ao seu então esposo, Príncipe Albert.

Albert Memorial Clock

Albert Memorial Clock

Há outros pontos de interesse em Belfast, mas que acabaram ficando fora do roteiro por serem muito longe e estarmos a pé. O interessante é reservar de 2 a 3 dias para conhecer bem a cidade e os seus arredores.

Do memorial, partimos para o Museu do Titanic, mas esse, como sou viciado até os ossos fã, fica para um próximo post.

 

Belfast, a capital da Irlanda do Norte

Belfast (em irlandês Béal Feirste) é uma cidade do Reino Unido, sendo a maior cidade e capital da Irlanda do Norte e da província do Ulster e a segunda maior cidade na ilha da Irlanda. Enquanto a população dentro dos limites da cidade é de cerca de 275.000, cerca de 750.000 pessoas vivem na área da Grande Belfast. Situa-se próxima à foz do rio Lagan. É flanqueada por trechos de montanha nos dois lados.

O nome Belfast tem origem no irlandês Béal Feirste, ou ‘boca do Farset’ (feirste é o genitivo da palavra fearsaid, “um carretel”), o nome do rio onde a cidade se ergueu. O rio Farset foi tomado pelo rio Lagan, por este ser um rio mais importante. O Farset encontra-se agora canalizado debaixo da rua High. A Bridge Street indica onde existia antigamente uma ponte sobre o rio Farset.

Belfast City Hall

Belfast City Hall

Belfast testemunhou o pior dos conflitos na Irlanda do Norte. O Acordo da Sexta-feira da Paixão encorajou a reconstrução da cidade em larga escala, tendo agora construções importantes, tais como a Victoria Square, o Titanic Quarter e Laganside, incluindo o novo complexo Odyssey e o ponto de referência, Waterfront Hall.

Uma grande parte do centro da cidade é agora somente para pedestres. A Queen’s University of Belfast é a principal universidade da cidade e a University of Ulster também possui um campus lá, concentrando-se em belas-artes e design.

Tive a oportunidade de ir a Belfast em março e no próximo post vou contar um pouco sobre o que se fazer lá em um dia.

Como é a divisão dos bairros em Dublin?

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Tenho pesquisado tudo que posso sobre Dublin. Baladas, bares, pizzarias, restaurantes, escolas de inglês, escolas de dança, academias, faculdades, shopping centers, supermercados, etc. O engraçado é que todo endereço da cidade vem acompanhado de um número, por exemplo: Dublin 1, 2, 3, 4 e assim por diante.

Fui pesquisar e entender o porque. Achei uma boa resposta no blog do Rick.

A cidade de Dublin é dividida em 24 regiões e dentro de cada região, existem os bairros, que por derivarem de nomes gaélicos, não são muito fáceis de assimilar. A única região que não tem número é a região do Porto de Dublin (Dun Laoghaire).

As regiões de 1 a 9 são conhecidas como regiões centrais e de 10 a 24, periféricas. A maioria das escolas está localizada em Dublin 1 e 2 e consequentemente, a maioria das casas de estudantes também.

Dizem que quem mora das regiões de 1 a 9, chega ao centro da cidade, Dublin 1 e 2, com no máximo 20 minutos de caminhada.

Hoje moro em Dublin 15. Muita gente quando digo isso olha pra mim como se eu fosse um ET. Brasileiros preferem morar no centro e fazer tudo a pé. Eu também prefiro. Na minha cidade no Brasil, morava em uma região central também.

Mas morar em Dublin 15 me dá algo que alguns brasileiros não podem ter: a experiência da vida irlandesa. Aqui na região de Blanchardstown eu tenho tudo que preciso: um parque para me exercitar, shopping com supermercado e cinema, apenas vizinhos irlandeses (nada de ouvir português o tempo todo), um bairro tranquilo, sem barulho. Enfim, é por aqui que os irlandeses moram.

E utilizando o transporte público, fazendo compras aonde eles fazem e indo para o centro apenas quando necessário me faz sentir mais parte ainda desse país que estou amando conhecer.

E acho que hoje, não trocaria essa paz e experiência por nada!

1 mês

Hoje faz 1 mês que saí do Brasil. Sinto saudade da família, dos amigos, dos encontros semanais, da rotina, até do meu quarto e da minha cama!

Nesse 1 mês vivi 1 ano. Vi e vivi coisas diferentes, novas, inesperadas. Estou aprendendo a ser dono do meu próprio nariz e isso dói.

A mágica acontece ao sair da zona de conforto

A mágica acontece ao sair da zona de conforto

Nesse 1 mês houve altos e baixos, momentos de extrema alegria e profunda tristeza: “É a bipolaridade do intercâmbio, tudo fica mais intenso”, vão dizer. E eu concordo. Só estando fora da bolha para saber a falta que a bolha faz.

Entretanto, é algo necessário: eu não saberia viver sem sair da minha zona de conforto. Quanto tempo mais vou ficar? Quem sabe? 7 dias, 1 mês, 1 ano, 10 anos? Difícil precisar. Confio que ficarei o tempo que for necessário.

Sei que uma batalha foi ganha, mas a guerra, ainda está longe de acabar…