Sair de Casa

Partir era mais fácil na minha cabeça do que está sendo na realidade. Lembro quando criança, de arrumar algumas peças de roupa em uma pequena mochila e subir a rua, dizendo a mim mesmo que havia chegado o momento de fugir de casa. Quando a raiva e o choro passavam, eu dava meia volta e ia de encontro a casa que eu chamava de lar.

Os anos passaram e a infantilidade da fuga deu lugar ao desejo da independência. Tive experiências de passar alguns períodos longe de casa, como em meu intercâmbio na África do Sul ou o mochilão pela América do Sul. Mas havia uma diferença: eu tinha data pra voltar. Quando eu voltava, meu quarto estava do jeito que eu havia deixado, minhas roupas, meus amigos, meu lugar.

Hoje não. Sei que a partir de hoje não haverá mais acordar com o vibrar do celular e ao abrir os olhos, ver minha tv bem ao lado da estante dos meus livros prediletos. Que ao levantar, não cruzarei mais o corredor com o meu guarda-roupa rumo ao banheiro, passando pelo quarto de minha vó e de minha mãe dizendo “Oi”, pois de manhã não sou adepto do “Bom dia”. E que não haverá mais minha vó dizendo: “Fala bom dia menino!”.

Sei que a partir de hoje não vou mais abrir a geladeira atrás de um copo bem gelado de água, meu tão costumeiro café da manhã. Que não olharei mais o relógio para me certificar de que não estou atrasado para começar a preparar o almoço. E que entre o cozinhar dos alimentos, vou sentar no sofá de casa, ligar a TV e acompanhar a timeline do facebook, tudo junto.

Sei também que não haverá mais almoços e jantares diários onde a conversa, discussão e risadas familiares embalavam como último tempero do alimento recém preparado. Que de noite, não haverá mais a parada para ver a novela com minha mãe e vó. Que às quartas ou quintas, não estarei mais presente nos cafés com os amigos para rir e extravasar os estresses da semana.

Sei que hoje será o último dia em que poderei responder a pergunta “Onde você mora?” com “Em Bauru”.

Sair de casa, dói. Ir embora, dói. Crescer, dói. Mas esse amadurecimento é mais do que bem-vindo: é por causa dele que no futuro poderei olhar pra trás e dizer: eu consegui!

Sei que embora distante, o sentimento entre família e amigos continua o mesmo, não morre, não enfraquece. O que cresce é a saudade e a vontade de estar junto mais uma vez.

E é nisso que eu me apoio para seguir em frente, sempre.

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Donna Flor

Hoje fui fazer a despedida com minha mãe e minha avó. O local escolhido foi um novo café que abriu em Bauru, o Donna Flor.

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Dentre cafés, capuccinos, salgados e cupcakes, o Donna Flor se destaca por servir a Batata Rosti, ou Batata Suíça, popularmente conhecida. Os sabores variam entre frango com catupiry, strogonoff de carne ou frango, carne seca e calabresa.

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O local é agradável, e a batata, uma delícia! Super recomendo para quem quiser provar um prato diferente. Aliás, cada prato serve duas pessoas. Além disso, teve o gosto da saudade, já que estava se despedindo das pessoas que são mais próximas de mim.

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O Donna Flor fica na Av. Getúlio Vargas, 6-25, na Galeria do Fran’s Café. Vale a pena conferir!

Despedida Colorful

Quando meus melhores amigos foram embora de Bauru, eu me senti sem chão. Achava que não seria mais capaz de fazer parte de um grupo e teria que conviver eternamente no limbo dos conhecidos, vivendo em grupos que não eram meus, fingindo gostar da superficialidade de uma conversa de bar.

Aos poucos, ao longo desses dois anos, foi surgindo sem que eu percebesse, uma complexidade entre pessoas que antes pareciam desconexas no contexto, mas que hoje, consigo ver que não poderia ter sido de outro modo: estava destinado que iríamos fazer parte de um grupo onde a dosagem de brincadeira e seriedade eram igualitárias e que isso tornava cada café, cada encontro, mais um ponto para amá-los cada vez mais.

Foi difícil lidar com o novo grupo, principalmente porque eu estava acostumado com outro tipo de amizade, mas hoje só tenho a agradecer a cada um por ser tão especial e acima de tudo, me fazerem crescer e amadurecer cercado de algo que é raro hoje em dia: o amor pelo próximo. E eu me senti amado. Me sinto amado. Por cada gesto, por cada palavra, por cada risada dada nos momentos em que estávamos juntos.

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Me despedir de vocês foi surreal. Primeiro porque ainda não sinto que estou indo embora. Talvez minha ficha caia no avião. Talvez caia na quarta ou quinta que vem, por volta das 20h30, quando não estarei indo tomar banho para encontrá-los para mais um café. Talvez aí a dor bata forte e a saudade grite no meu peito pedindo pra voltar. Mas sei que, assim como eu, vocês querem que eu seja feliz e que essa nova fase talvez traga o que tanto procuro no mundo: um lugar para chamar de meu.

Mas independente disso, quero que todos saibam que hoje, sentado no meu quarto encaixotado, com as malas prontas, é em vocês e na minha família que penso. Quero agradecer cada momento, cada beijo, cada abraço, cada lágrima que existiu e ainda vai existir entre nós. Porque o nosso amor já não é apenas de amigos, é amor de irmãos. Vocês, com certeza, fazem parte da minha família.

Eu amo vocês!

Jantar de Despedida

E os eventos da despedida continuam…

Hoje em casa vieram os parentes mais próximos para a minha despedida. Aliamos o evento ao aniversário do meu irmão (que é amanhã).

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Foi ótimo reunir os familiares em casa, ouvir histórias da minha avó de quando meus tios e mãe eram pequenos, meus tios contando histórias de quando minha prima era pequena. Essa coisa de se sentir parte de algo, de ter o fio da vida entrelaçado no novelo da família é muito gratificante.

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O cardápio escolhido não poderia ser diferente: frango ao molho de laranja. Explico: quando eu era pequeno, todo final de ano, no período de festas, minha tia Beth fazia esse prato. As pessoas diziam: “Mas de novo?”, e ela respondia: “Sim, porque o Felipe gosta”. E eu passava a semana toda comendo aquele frango que hoje tem gosto de saudade.

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Esse ano fará 7 anos que ela nos deixou, mas esse foi o modo que encontrei se senti-la presente nessa nova fase que vai se iniciar na minha vida. Sei que onde estiver, ela está olhando por mim e se sentindo orgulhosa do passo que estou dando.

Mais 3 dias para eu mergulhar de cabeça no desconhecido.

Festa de Despedida

Esse final de semana foi especial para mim. A montanha-russa de emoções que venho sentindo desde que decidi ir embora só se intensificou devido a abertura da temporada das festas de despedida.

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Ontem eu e o Rick tivemos a festa para os amigos na chácara do Oratório (obrigado Conrado por ter nos permitido usá-la!) e ao som de muita música eletrônica, axé, pagode e músicas das antigas, fizemos uma festa em que a tristeza da despedida foi deixada de lado dando lugar a alegria de mais uma vez poder estar com os amigos.

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Obrigado a todos, que estão na foto e aos que não estão, que vieram de fora de Bauru e aos que são daqui, os que se dispuseram a ir até lá e aos que não puderam, por fazerem parte da minha vida, do meu crescimento e amadurecimento e por me apoiarem nessa decisão e nessa nova etapa que se inicia!