Santiago do Chile 2011

Desde que minha prima morou em Santiago, eu tinha vontade de ir até o Chile e conhecer essa cidade maravilhosa. Se Buenos Aires tem um ar europeu, Santiago já tem o ar de São Paulo, com suas peculiaridades e charme.

Grande parte da população chilena vive na região metropolitana de Santiago e – corrijam-me se eu estiver errado – não há favelas na cidade. Tudo é muito limpo, a vida cultural ferve e a noite é uma das melhores da América do Sul.

Estrada entre Mendoza e Santiago

A viagem de ônibus entre Mendoza e Santiago já é um atrativo por si só. Atravessar os Andes é algo único! As paisagens vão se alterando e o caminho, com suas curvas sinuosas torna tudo um encanto. Ficamos hospedados no Hostel Cienfuegos, numa região super central e próxima ao Palácio de La Moneda e estações de metrô.

Palacio de La Moneda

Santiago é uma cidade super organizada e os pontos turísticos são relativamente próximos uns aos outros. Os mais distantes são facilmente alcançados de metro. Por isso, planeje bem o seu roteiro: às vezes, o próximo ponto turístico pode estar mais perto do que se imagina.

Vista do Cerro de Santa Lúcia

Outro ponto importante de ser visitado em Santiago é o mercado Central, muito parecido com o Mercadão de São Paulo, onde é possível encontrar as frutas e os peixes típicos de cada região. Por falar nisso, a alimentação no Chile é algo à parte: a palta, um creme feito de abacate,  é usado em praticamente tudo; eles comem no café da manhã no pão com manteiga, junto com a salada, no sanduíche do Burger King, enfim, é uma preferência nacional. As porções também são bem servidas e eles possuem alguns pratos a lo pobre: grandes porções de carne à milanesa, com batata frita e ovos.

Gastronomia chilena: dieta não tem vez em uma viagem dessas

Aproveite a ida para Santiago para conhecer o Valle Nevado, Viña del Mar e Valparaíso. Como eu tive um período curto de estada, preferi fazer o passeio a Viña del Mar e Valparaíso, mesmo porque não era temporada de neve no Chile. São lugares fantásticos e para quem não teve a chance, é a oportunidade de colocar o pé no oceano Pacífico.

Viña del Mar

Essa excursão ainda reserva uma surpresa: é possível conhecer uma estátua trazida da Ilha de Páscoa, o Moai. Só existem três fora da ilha: uma em Viña del Mar, uma em Santiago e uma em algum museu ao qual não me lembro qual em outro lugar do mundo.

O Chile possui um ótimo custo benefício e para quem mora no Brasil, é um passeio possível e barato, se comparado a outros destinos internacionais.

Embarque nessa!

Mendoza 2011

Depois de mais 16 horas de ônibus, chegamos a Mendoza. Mendoza é uma cidade argentina tranquila de mais ou menos 100 mil habitantes. Ela segue os padrões de Las Vegas: construída no meio do deserto, as plantas que crescem lá foram desenvolvidas para receber irrigação artificial.

Parque no centro de Mendoza

Interessantemente, um dos maiores parques da Argentina está em Mendoza. A região também é muito conhecida por ser produtora dos melhores vinhos das Argentina e um dos passeios oferecidos é justamente para conhecer esses locais e degustar vinhos.

Exemplo de vinícola em Mendoza

Mendoza também está super próxima de Santiago no Chile, o que dá a chance de conhecer a Cordilheira dos Andes e o parque do Aconcágua, a maior montanha da América do Sul. Seguindo de excursão, esse passeio tem duração de um dia.

Ao fundo, a montanha Aconcágua

Mendoza também faz parte do caminho dos Incas, onde é possível conhecer uma das únicas pontes esculpidas pela água no mundo. Sua coloração se deve ao solo sulfuroso da região, devido ao vulcão que se encontra próximo a localidade.

Ponte dos Incas com a fonte termal construída no começo do século 19

O parque do Aconcágua é um adicional que vale a pena. Além de conhecer a maior montanha da América do Sul, suas outras montanhas com colorações diferenciadas devido ao ferro do solo, fazem com que o contraste com os lagos sejam absurdamente lindo e único.

Parque do Aconcágua

Se tiver a chance, recomendo esticar a viagem e conhecer essa encantadora cidade em meio ao deserto e tão próxima a cordilheira dos Andes.

Bariloche 2011

Depois de 26h de viagem em um ônibus executivo desde Buenos Aires pela empresa Chevallier, chegamos pela manhã em Bariloche. Por mais longa que a viagem possa parecer, pelo conforto do ônibus e alguns comprimidos de dramin fizeram com que parecesse mais rapido que a viagem de Bauru até São Paulo.

O legal desse ônibus é que ele não faz paradas, ou seja: nada de postos, de esticar as pernas, fumar então? Nem pensar! Toda a alimentação é feita a bordo e servida por comissários especializados em viagens terrestres. Show de bola!

O ônibus possuía dois andares: o de cima, a classe econômica; embaixo, a executiva. Na foto, a parte da galley

Quando chegamos, já deu pra sentir a diferença no clima de Buenos Aires e Bariloche. Embora estivesse começando o inverno, o clima da Patagônia argentina dava as boas-vindas com um ar bem mais gelado e seco: era o que eu esperava!

Fomos direto para o Hostel Inn Bariloche. Bariloche é uma cidade charmosa em um local privilegiado, cercada por montanhas, aos pés do lago Nahuel Huapi. É possível sentir a geografia em suas ruas de subidas e descidas íngremes. No hostel não foi diferente: era preciso subir um lance de escadas de 120 degraus para chegar a recepção. Ok, não parece muito, mas tente fazer esse trajeto com uma mala de 15kg e depois de duas a três vezes por dia: minhas panturrilhas agradeciam cada vez que precisava fazer isso hehehehe

Sacada do hostel com vista para o lago Nahuel Huapi e vista do sol nascendo

Como fomos fora da época que os hermanos chamam de Brasiloche, fica mais fácil aproveitar a cidade, pois ela não está tomada por brasileiros e turistas dificultando os passeios e tirando o charme argentino do local. Com certeza, foi uma sábia decisão!

Vista do Cerro Catedral, com os lagos que cercam Bariloche

Há muito o que se fazer em Bariloche além de se ver neve: é possível usar o teleférico até o Cerro Catedral, passeios para o Glacial Negro e o Cerro Tronador, além de experimentar seus chocolates e alfajores, especialidades da região.

Centro Cívico de Bariloche

O lago Nahuel Huapi também possui uma história interessante: na língua dos indígenas, significa “A Ilha do Tigre”, mas como os espanhóis não entenderam direito, fizeram a tradução para o nome do lago. É uma pena, pois após a erupção do vulcão, pode ser que o lago não atinja mais esse tom azulado que vemos nas fotos.

Lago Nahuel Huapi

O Glacial Negro fica junto ao Cerro Tronador (que recebe esse nome pelo som semelhante a trovoada de suas avalanches). O interessante desse local é justamente seu gelo com cor escura, encontrado apenas ali e no Pólo Norte; a coloração se deve aos sedimentos de cinzas vulcânicas que se congelaram junto com a água. Com o decorrer dos anos e o aquecimento global, ele tem diminuído de tamanho vertiginosamente, então se você planeja ver essa maravilha, corra, pois ela está quase em extinção.

Cerro Tronador com Glacial Negro

Na visita a Bariloche, não deixe de aproveitar a excursão a uma pequena cidade próxima chamada San Martín de Los Andes. É uma cidadezinha encravada na montanha com charme e personalidade própria.

San Martin de Los Andes

Os restaurantes do local são excelentes e suas árvores com folhas avermelhadas (entre o outono e o inverno) dão o toque final. Uma ótima pedida!

Buenos Aires

Buenos Aires não era um dos locais que eu mais queria conhecer, mas quando a oportunidade surgiu, eu não hesitei em abraçar a ideia. Combinamos eu e Izabela de nos darmos essa viagem de presente de formatura, achamos um ótimo roteiro pelo site dos mochileiros e aproveitando que o câmbio estava favorável, embarcamos na ideia de passar 20 dias viajando entre a Argentina, o Chile e o Uruguai.

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Voo da Ida

Acabamos optando por voar Pluna, pois era a companhia que oferecia o melhor custo benefício do trecho: iríamos de São Paulo para Buenos Aires e a volta seria por Santiago, fazendo um stop de 12h em Montevideo. O resto do percurso decidimos fazer via terrestre, de ônibus mesmo, interligando os países, o que barateou bastante a viagem.

Congresso

Depois de uma conexão trocada em Montevideo na ida, o que nos ajudou a chegar mais cedo que o esperando em Buenos Aires (ponto para a Pluna!), fomos direto para o hostel Florida Suites, com uma ótima localização no centro da cidade. Essa foi outra escolha que ajudou a baratear a viagem: optamos por ficar em um hostel com quarto compartilhado, o que nos deu a chance também de conhecer gente do mundo todo.

Como a Izabela tinha aula todos os dias de manhã, eu aproveitava esse período para conhecer a cidade a pé e acabamos utilizando o Buenos Aires Bus, que possui um ótimo custo-benefício: preço baixo e a chance de conhecer os principais pontos em um único dia. É permitido descer do ônibus e subir quantas vezes quiser no período do bilhete contratado, 24h ou 48h e os ônibus passam nos pontos de 30 em 30 minutos, tempo ideal para descer, conhecer, bater fotos e embarcar rumo a outro ponto turístico.

Locais como a Casa Rosada, Plaza de Mayo, Obelisco, Teatro Colón e Puerto Madero são facilmente encontrados a pé para quem se hospeda no centro, por isso, utilize o ônibus para conhecer locais mais distantes, como Caminito, La Bombonera, etc.

Puerto Madero, o bairro mais novo de Buenos Aires

A gastronomia em Buenos Aires é excepcional: é possível encontrar cozinhas internacionais, locais baratos para degustar uma boa refeição e claro, o famoso churrasco com chorizo. A dica é o restaurante Siga La Vaca, que fica em Puerto Madero, mas vários restaurantes espalhados pela cidade também possuem ótimas opções de refeições.

Gastronomia Portenha: difícil não se deixar levar pelos diversos sabores

Deixar para conhecer alguns pontos durante a noite também podem trazer o ar charmoso de Buenos Aires. A Casa Rosada e a Ponte do Tango são exemplos disso:

Também aproveitamos o penúltimo dia em Buenos Aires para conhecer Tigre, uma pitoresca cidade a uma hora de trem de Buenos Aires que possui parques pela cidade e um ótimo parque de diversões. Esse, eu tive que conferir!

No último dia, eu estava apaixonado por Buenos Aires e seu clima europeu. O modo como nossos hermanos lidam com sua história e cultura é de se comover: eles tem orgulho de tudo isso! Decidi que esse era um local que eu gostaria de voltar mais vezes.

Seguimos via terrestre para Bariloche no 7º dia. Mas esse trecho da viagem fica para um próximo post.