Lembranças da infância

Entrando no clima de dia das crianças, lembro a primeira vez que, com um amigo, decidi subir a pé da Avenida Rodrigues Alves até a Duque de Caxias em Bauru, interior de São Paulo. A distância devia dar em torno de dez quadras. Era uma tarde de sábado ou domingo, em pleno verão. Para quem conhece a Cidade Sem Limites, sabe que o calor nessa época do ano é mais intenso que o habitual.

Eu devia ter em torno de oito ou dez anos e para mim, foi uma vitória conseguir percorrer aquele caminho (até parei no meio do percurso em um estabelecimento, todo esbaforido, pedindo água).

Mal sabia eu que, anos mais tarde, seria capaz sonhar com algo maior e conseguir realizar. Eu não tinha ideia de que seria capaz de cruzar oceanos, fronteiras e países. Mal sabia eu que não precisaria mais dos meus pés para percorrer uma distância de um ponto a outro.

A primeira vez que me lembro de ter viajado para longe de minha cidade foi quando minha família foi para a praia de Ubatuba, no estado de São Paulo. Lembro com carinho daquele final de ano. As horas intermináveis dentro do carro me presentearam com o mar, tão misterioso e fascinante para mim. Foi minha primeira experiência em algo diferente do meu mundo particular.

Entretanto, descobri que podia descobrir o mundo sozinho: eu só precisava de coragem para desbravar o desconhecido. Foram excursões da escola, viagens de formatura, viagens técnicas pela faculdade e cada vez eu pegava mais gosto por conhecer lugares, culturas e pessoas diferentes.

Meu intercâmbio para a África do Sul veio para confirmar o que eu já sabia: eu havia nascido para viajar. Ir sozinho aos 18 anos para um país completamente desconhecido e tão diferente culturalmente do meu fez com que minha mente expandisse de um modo que só vivendo essa experiência para entender. O amor ao próximo  e o respeito as diferenças se tornam mais fortes e reais.

Eu descobri que o mundo igual, preto e branco, não tem graça. Descobri que precisava de cor para viver. Um arco-íris de crenças, valores, culturas e sorrisos que fazem tudo mais especial e verdadeiro.

Depois disso, não parei mais: mochilão pela América do Sul, decidi ir morar na Europa e conhecer vários países e, como cereja desse grande bolo de viagens, me tornar comissário de bordo.

E hoje, cada vez que estou dentro de uma aeronave indo pra um lugar diferente do meu país que é tão rico culturalmente, eu me sinto mais completo e mais feliz.

Aquele menino que queria desbravar dez quadras para mostrar que era capaz de ser independente, descobriu um dia que amava viajar.

Hoje, ele sabe que é capaz de voar.

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Logística, São Paulo e Harvey

Esse final de semana foi especial para mim. Além de rever pessoas queridas, ainda conheci muita gente bacana que gosta de trocar um bom papo por um delicioso café.

Fui para São Paulo na quinta ajudar na logística de retorno de estudantes estrangeiros no aeroporto de Guarulhos. A organização a qual eu sou voluntário faz um trabalho maravilhoso de programas de intercâmbio, sendo o objetivo conectar vidas, dividir culturas. Para quem quiser conhecer melhor o trabalho do AFS, se tornar voluntário, família hospedeira ou estudante de intercâmbio, segue o link do site da organização.

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Grupo de voluntários Logística AFS GRU

O AFS é uma organização internacional, voluntária, não-governamental e sem fins lucrativos, ligada ao AFS Intercultural Programs, antigo American Field Service, uma das maiores e mais sérias organizações de intercâmbio do mundo.

Com presença em 88 países, operam através de uma base voluntária que acredita em uma única missão: a paz mundial.

Mais de 400.000 participantes do AFS já tiveram a oportunidade de viver e aprender em outra cultura e, durante este processo, descobriram mais sobre sua própria cultura e sobre eles próprios.

O trabalho é intenso, pois são várias nacionalidades e os mais diferentes voos. Embora eu tenha ficado em torno de 12 horas por dia dentro do aeroporto, a diversão, o encontro com pessoas queridas fez com que não parecessem mais de 12 minutos (tirando meu corpo que sente os efeitos de cansaço até agora).

No sábado, fui para a Av. Paulista encontrar membros do grupo Harvey do facebook. O dia estava chuvoso e pedindo um encontro em um café. Optamos pelo Starbucks do Trianon e lá ficamos conversando por horas a fio, como se nos conhecêssemos a muito tempo. Afinidade de cara!

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 Encontro Harvey – Starbucks Trianon

Estou super cansado, desde quinta em um ritmo intenso, mas posso dizer que valeu tudo muito a pena.

Estar no aeroporto, ver as despedidas (e no tempo livre ainda assistir Chegadas e Partidas da Astrid) me fez viver um período de mix de emoções. Cada pessoa que se despedia era um pedaço da minha despedida que está para chegar. O aeroporto tinha o ar nostálgico que já está presente dentro de mim.

Foi ótimo rever os amigos da logística e fazer uma pré-despedida. Foi ótimo conhecer o pessoal do Harvey e saber que há mais do que superficialidade no mundo.

Espero sempre poder ter em minha vida, pessoas especiais como as que encontrei esse final de semana. E que venham os novos desafios!