Seleção na Azul Linhas Aéreas

Como eu comentei anteriormente, antes do planejado, tive que voltar para o Brasil. Na hora eu só conseguia pensar: “O que as pessoas vão dizer?”. “Por que as coisas não saem do jeito que eu planejei?”.

“Para vencer a guerra, às vezes precisamos recuar”. Sempre penso nisso e  embora eu ainda não soubesse, meu destino estava sendo escrito. Hoje sei que retornei para realizar meu sonho e me tornar comissário de bordo. Hoje sou um Blue Angel. Hoje faço parte da Azul.

Não posso entrar em detalhes de como foi a seleção, mas acredito que seja possível deixar algumas dicas de como se preparar para esse tipo de entrevista:

Estude, estude, estude. A banca ANAC não é apenas uma prova. São conhecimentos teóricos que o comissário vai usar durante toda a sua vida como tripulante, principalmente a parte de emergência e primeiros socorros. Mantenha-se atualizado!

Tenha bom conhecimento da língua materna, afinal, você vai ter que conversar com passageiros, despachantes, tripulantes técnicos, etc. Como fazer isso sem o domínio do português?

Tenha bom conhecimento de lógica. Raciocínio rápido é essencial na profissão. A consciência situacional deve estar sempre em alta e você tem que pensar rápido em algumas situações para achar a melhor solução.

Seja autêntico. Mostre que você sabe sorrir e que vai oferecer o diferencial para a empresa. Não siga estereótipos pré-formatados. Seja você mesmo.

Goste de lidar com pessoas. Embora seja um plus viajar e conhecer novos lugares, a nossa profissão está muito mais voltada para lidar com o público. Seja simpático, sorria, preste atenção e converse de forma agradável.

Somos a cara da empresa, por isso, cuide da aparência, tenha porte e seja o mais elegante e gentil possível. Não é o terno mais caro que vai definir isso, mas os pequenos detalhes e gestos.

Sorria, sorria e sorria sempre. É esperado do comissário o bom humor. Afinal, somos nós que damos as boas-vindas aos passageiros nas aeronaves. Seja caloroso e faça-o se sentir o mais próximo possível como se ele estivesse em casa.

Preste atenção aos detalhes. Nem todo passageiro consegue se expressar. Às vezes o medo de voar ou a vergonha fazem com que ele se cale. Preste atenção para dar o melhor atendimento possível, sempre.

Seja independente. Viajamos para os mais diversos lugares e temos que saber como lidar com as mais diversas situações, principalmente porque na maior parte das vezes estamos sozinhos e longe de nossos amigos e família. Seja pró-ativo e consiga resolver as coisas por si mesmo.

Se seguir essas regrinhas simples, com certeza além de ser um ótimo comissário, você vai se tornar uma pessoa melhor. Que tal começar a treinar com seus familiares, amigos e conhecidos? Desse modo, quando estiver em uma entrevista, sua simpatia, bom humor, pró-atividade, gentileza, elegância e independência vão soar de forma natural, te tornando um autêntico comissário.

Boa sorte!

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Memória olfativa

É interessante pensar que alguns lugares marcam por coisas que não fazem certo sentido. Posso citar cada coisa que me marcou em cada viagem.

A África do Sul pelas amizades que fiz, por ser a primeira, tem um toque especial na minha vida. O mochilão pela América do Sul pelo sentimento de libertação pós-faculdade e o verdadeiro começo da vida adulta.

Minha viagem para a Europa foi um divisor de águas. Eu precisava daquele momento para repensar o que queria e embora eu acreditasse que lá fosse meu destino, fatalmente tive que voltar para o Brasil para realmente me achar e hoje sou grato por isso.

A Irlanda me colocou frente à frente comigo mesmo, meus medos e meus fantasmas. Sorte que estava com um amigo e isso fez com que eu conseguisse ter forças para seguir em frente.

A França e a Espanha foram o respiro desses dois meses que passei na Irlanda. Paris me encantou como nenhum outro lugar anteriormente. Barcelona com seu ar estilo carioca me fez sentir mais vivo do que qualquer outro lugar da Europa.

Mas o que realmente quero falar nesse post é sobre a Suíça. O que sinto falta daquele lugar é do cheiro. Que cheiro? Não sei explicar.

Toda vez que penso em Zurich e Luzern, minha memória olfativa toma conta de meu cérebro. Achei que estava louco, até conhecer uma comissária que me disse também sentir falta do cheiro da costa oeste americana.

Lembro de acordar cedo na casa de minha amiga e abrir só uma pequena fresta da janela para sentir o cheiro da neve, do frio, do vento. Acho que só vivenciando algo assim para entender do que estou falando.

E talvez seja isso que eu mais goste em viagens: são os pequenos detalhes, nuances, texturas e cheiros que mais marcam a gente. E que nos dão cada vez mais vontade de desbravar o mundo todo.

Desapego forçado

Aí um dia você decide formatar o computador, passa todos os arquivos importantes para um HD externo mas, por um erro de atenção, esquece de repassar suas fotos para ele.

Sim. Isso aconteceu comigo. Perdi todas as minhas fotos.

Na hora em que bati o olho na pasta de fotos e ela estava vazia, eu senti meu coração parar por um milésimo de segundo. Quem me conhece sabe que adoro viajar e registrar todos os momentos e detalhes.

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Fazem dois meses que isso aconteceu, eu consegui recuperar grande parte das fotos, embora tudo misturado, mas ainda me sinto de luto. Luto pela ordem cronológica e álbuns como estavam separadas, por viagens, por momentos vividos e que não voltam mais.

Entendo que no final as fotos são mais para mostrarmos aos outros do que para nós mesmos, uma vez que ninguém pode tirar de mim o que vivi e experienciei em cada viagem (a não ser o Alzheimer). Entretanto, me dói pensar que muita coisa se perdeu e que com o passar dos dias, dos meses, dos anos, eu vou acabar esquecendo os pequenos detalhes daqueles momentos que eu poderia recordar ao ver ocasionalmente o álbum de certa viagem.

Ainda não tive coragem de acabar de catalogar as fotos que consegui recuperar, talvez por medo de descobrir que logo a foto preferida daquela viagem, se perdeu para sempre.

Aliás, cabe ressaltar que estou escrevendo esse post-desabafo para ver se de uma vez por todas eu consigo enterrar esse assunto, afinal, como disse, ainda me dói saber que isso aconteceu.

Mas que venham novas viagens, novos momentos e novas fotos. Afinal, a vida é realmente feita de recomeços e novos ciclos. E nem um HD formatado pode mudar isso.

Lembranças da infância

Entrando no clima de dia das crianças, lembro a primeira vez que, com um amigo, decidi subir a pé da Avenida Rodrigues Alves até a Duque de Caxias em Bauru, interior de São Paulo. A distância devia dar em torno de dez quadras. Era uma tarde de sábado ou domingo, em pleno verão. Para quem conhece a Cidade Sem Limites, sabe que o calor nessa época do ano é mais intenso que o habitual.

Eu devia ter em torno de oito ou dez anos e para mim, foi uma vitória conseguir percorrer aquele caminho (até parei no meio do percurso em um estabelecimento, todo esbaforido, pedindo água).

Mal sabia eu que, anos mais tarde, seria capaz sonhar com algo maior e conseguir realizar. Eu não tinha ideia de que seria capaz de cruzar oceanos, fronteiras e países. Mal sabia eu que não precisaria mais dos meus pés para percorrer uma distância de um ponto a outro.

A primeira vez que me lembro de ter viajado para longe de minha cidade foi quando minha família foi para a praia de Ubatuba, no estado de São Paulo. Lembro com carinho daquele final de ano. As horas intermináveis dentro do carro me presentearam com o mar, tão misterioso e fascinante para mim. Foi minha primeira experiência em algo diferente do meu mundo particular.

Entretanto, descobri que podia descobrir o mundo sozinho: eu só precisava de coragem para desbravar o desconhecido. Foram excursões da escola, viagens de formatura, viagens técnicas pela faculdade e cada vez eu pegava mais gosto por conhecer lugares, culturas e pessoas diferentes.

Meu intercâmbio para a África do Sul veio para confirmar o que eu já sabia: eu havia nascido para viajar. Ir sozinho aos 18 anos para um país completamente desconhecido e tão diferente culturalmente do meu fez com que minha mente expandisse de um modo que só vivendo essa experiência para entender. O amor ao próximo  e o respeito as diferenças se tornam mais fortes e reais.

Eu descobri que o mundo igual, preto e branco, não tem graça. Descobri que precisava de cor para viver. Um arco-íris de crenças, valores, culturas e sorrisos que fazem tudo mais especial e verdadeiro.

Depois disso, não parei mais: mochilão pela América do Sul, decidi ir morar na Europa e conhecer vários países e, como cereja desse grande bolo de viagens, me tornar comissário de bordo.

E hoje, cada vez que estou dentro de uma aeronave indo pra um lugar diferente do meu país que é tão rico culturalmente, eu me sinto mais completo e mais feliz.

Aquele menino que queria desbravar dez quadras para mostrar que era capaz de ser independente, descobriu um dia que amava viajar.

Hoje, ele sabe que é capaz de voar.

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